Quando começamos a buscar ferramentas e conhecimento para melhoria da performance e da produtividade, criamos um espaço expandido no qual podemos nos auto-observar e autoavaliar e assim identificamos vícios que comprometem o nosso desempenho, armadilhas que prejudicam o planejamento que desenvolvemos, os pilares que sustentam a produtividade, dentre várias outras coisas. 

Porém, existem alguns tipos de vícios que cometemos quase que diariamente sem nos darmos conta de que são vícios e que estão a comprometer não só a nossa produtividade, como também a nossa qualidade de vida, a qualidade dos nossos relacionamentos, a realização dos nossos sonhos e objetivos e por aí vai. 

Ok, Kelly, mas você está falando do que especificamente? Eu estou me referindo aos hábitos improdutivos (ou enfraquecedores) que fazem parte do nosso dia-a-dia e que são tão comuns no nosso universo que muitas vezes nem mesmo nos damos conta de que estamos a praticar tais hábitos. 

Nesse ponto, eu te peço paciência, escuta empática e autocompaixão.  

Paciência para evitar a armadilha da autossabotagem de não querer olhar para esses hábitos por achar que não é para você ou que você não tem tempo para isso. 

Escuta empática para “ouvir” o que estou dizendo com os ouvidos e os olhos de quem está tirando para si mesma, por meio da escuta empática que você possa se permitir se ouvir/enxergar nas minhas palavras. Às vezes a gente só consegue se ver ou se ouvir pelos olhos/ouvidos de outra pessoa.

E autocompaixão para que você possa acolher o que lhe servir nesse texto com amor e compaixão por si mesma. Entendendo que estamos todos numa estrada evolutiva e que fizemos o melhor que poderíamos fazer até o momento com o conhecimento que possuímos. Tudo o que estamos buscando construir em nossas vidas, em todas as áreas, vai exigir essa transformação pessoal, sair do casulo lagarta para se transformar na borboleta linda que com suas cores, leveza e rodopios mostra ao mundo como é poderoso investir/viver a sua própria metamorfose. 

Pois bem, dito isso, vamos então aos 3 (três) vícios de produtividade – hábitos nocivos e improdutivos –  que você comete diariamente sem perceber que são vícios e que comprometem significativamente a sua produtividade e performance.

1. Caos mental (negatividade)

O number one da lista:  o caos mental! O caos mental está relacionado com a negatividade. Podemos afirmar que a negatividade é um estado emocional improdutivo, no caso, um padrão de estado emocional que sustenta pensamentos, sentimentos e comportamentos compatíveis com a negatividade. 

Aqui, o caos mental se manifesta como um conjunto de hábitos que determinam como nos posicionamos em relação à vida, ao trabalho, às pessoas, aos acontecimentos. 

Um exemplo de caos mental muito comum é a reclamação. Pessoas reclamonas, aborrecidas sustentam um estado emocional negativo, de baixa frequência vibracional. E porquê? Porque o seu olhar é sempre negativo! Raramente essas pessoas conseguem se fixar em ponto positivo acerca de qualquer coisa, pessoa ou situação. Sabe aquela pessoa que chega num ambiente e encontra defeitos em tudo? Então, ela é do tipo “reclamona” e com segurança, sustenta esse caos mental.

O neurocientista franco-português Henrique Sequeira coordena um laboratório dedicado ao estudo das emoções na universidade de Lille, no norte da França. Suas pesquisas incluem a análise do impacto das emoções no corpo, sejam negativas ou positivas. Henrique afirma que “Não há emoções sem impacto no corpo. O que é preciso compreender é que elas funcionam como uma interface entre o cérebro e o corpo. Quando sentimos uma emoção, positiva ou negativa, isso nunca será insignificante para o organismo”, resume o neurocientista.

Essas reações  podem impactar no sistema imunológico, que pode melhorar ou sofrer uma baixa em função das emoções ressentidas, podem ser percebidas no nível hormonal,  respiratório, cardiovascular e por aí vai. No caso das emoções negativas já existem muitas pesquisas e dados demonstrando que vão gerar hipertensão, problemas cardiorespiratórios e, se mantidas por meio tempo, como no caso do caos mental, fatalmente irão conduzir também a problemas com a saúde mental, como depressão, síndrome de Burnout ou outras psicopatologias. 

Por outro lado, as emoções positivas afetam nosso cérebro e nosso comportamento com uma vantagem química concreta: elas inundam nosso cérebro com dopamina e serotonina, substâncias que não só nos fazem nos sentir melhor como ativam e potencializam os centros de aprendizado do cérebro, possibilitam pensar com mais rapidez, ter boa memória,  criatividade e produtividade.

Fique de olho!  É fácil identificar no outro esse padrão mental/emocional negativo, mas nem sempre conseguimos nos reconhecer nele. Eu mesma era assim, eu não percebia o vitimismo que tomava conta do meu ser e menos ainda as reclamações veladas que alimentava. Não expressar em palavras não significa que você não esteja alimentando um caos mental, Os pensamentos não exteriorizados por si só são suficientes para gerar o estrago do padrão da negatividade, caos mental instalado, resultados compatíveis com isso.

2. Perfeccionismo

Eu sou uma pessoa perfeccionista. Hoje eu aprendi a “domar” esse vício, mas durante boa parte da minha trajetória profissional, em especial, eu sucumbi ao perfeccionismo. 

Na verdade, eu nem chegava a cogitar que era um vício, na minha “santa inocência, batman”, eu acreditava que era positivo. Eu verdadeiramente acreditava que o perfeccionismo poderia me aproximar da produtividade, da valorização no trabalho e até mesmo do sucesso.  Porém, descobri a duras penas que perfeccionismo e produtividade não andam de mãos dadas.

É claro que eu sofri as consequências de sustentar esses dois hábitos improdutivos/nocivos: o caos mental e o perfeccionismo. Vivi ao longo da minha caminhada pessoal e profissional vários momentos com baixa na saúde mental e emocional como  depressão, estresse, crises de ansiedade, além dos males físicos. 

A perfeição não existe! Ficar presa aos detalhes em tudo o que faz, te toma tempo, energia, disposição e criatividade sem, necessariamente fazer com que você entregue o melhor resultado da vida.  Muitas vezes, sustentar esse perfeccionismo é uma maneira de procrastinar o início ou a conclusão de tarefas importantes, ele ajuda a sustentar o medo do que está por vir. 

Além disso, ficar pendurada nas tarefas por mais tempo que o necessário, tentando acertar os detalhes, aperfeiçoar o que já está pronto e em condições de ser levado adiante te coloca num estado emocional negativo de estresse, ansiedade, autocobrança, frustração e medo. Além disso todo esse padrão que você alimenta gera muita exaustão e claro, um distanciamento das pessoas com as quais você se relaciona, afinal o perfeccionista com seu ideal de perfeição e o seu manual mental de como tudo deve ser, termina por se tornar o “chato” do grupo e ele se torna chato consigo mesmo e com os outros, a partir dessa expectativa irreal de perfeição. 

Bem, nós já entendemos que o perfeccionismo compromete não só a produtividade, como também a qualidade de vida, porém, antes de demonizar os pobres perfeccionistas da sua existência, vamos entender melhor esse universo dos tipos de perfeccionistas. 

Num artigo sobre o tema publicado no blog do Trello, um aplicativo incrível de produtividade e organização, as especialistas  Dra. Laura Hamill, psicóloga organizacional e diretora de ciências da Limeade, e  a psicóloga social e coach de liderança Erin Baker, PhD,  trouxeram os três tipos de perfeccionistas pra ajudar nessa compreensão do que é o perfeccionismo na perspectiva de cada um dos tipos abaixo

Perfeccionismo é definido como “a recusa em aceitar qualquer padrão inferior à perfeição.” A maioria dos especialistas concorda que existem 3 tipos de perfeccionismo:

  • Perfeccionismo auto-orientado: ocorre quando as pessoas são altamente críticas sobre si mesmas.
  • Perfeccionismo orientado para os outros: ocorre quando as pessoas são altamente críticas em relação às outras.
  • Perfeccionismo socialmente estabelecido: ocorre quando as pessoas acham que os outros esperam que elas sejam perfeitas. Por isso, se pressionam para serem perfeitas a fim de atender a essas expectativas.

Depois de compreender que o perfeccionismo não ajuda nem um pouco a ser uma mulher produtiva e de alto desempenho, você pode começar adotando um mantra diário em substituição ao “tem que ser perfeito”.  Quando vier esse tipo de pensamento na sua cabeça, afirme para si mesma que “feito é melhor que perfeito””

Foi com esse mantra e, claro, ao entrar em ação com foco no fazer e não perfeição que eu domei esse monstro que eu havia criado. E, acredite em mim! A vida vai andar, as coisas vão funcionar até melhor, seu senso de satisfação pessoal, autoestima e autoconfiança vão subir a outro patamar e as pessoas que convivem com você também vão agradecer… hehe. 

Tire a prova por si mesma! 

3. Pensar naquilo na hora que não pode fazer aquilo

Calma! Não é nada disso que você está pensando.

E, sim, eu sei o que você está pensando porque eu também pensei que era naquilo que ele estava pensando quando soltou essa afirmação. 

A primeira vez que vi (ou li) essa frase, não me recordo ao certo, foi na fala do Gerônimo Theml, autor do best seller Produtividade para quem quer tempo.  Na hora eu fiquei meio assim-assim, tentando me conectar com a profundidade do que ele estava trazendo com esse jogo de palavras. 

Como a maioria das pessoas, eu também levei pro outro lado. Mas, o Gerônimo estava se referindo simplesmente ao ato de não desviar atenção do seu foco de concentração no momento, pensando em coisas que você precisa fazer ou deveria ter feito, se você não pode resolver ali naquela hora. Explico!

Vamos supor que você marcou um café com uma amiga que você não encontra há mais de um ano. Então vocês se encontram no horário marcado no mesmo bat local de anos atrás e começam uma conversa animada sobre tudo o que aconteceu desde a última vez que se viram. Porém, essa animação não dura muito tempo, a todo momento ela é interrompida por por mensagens de celular ou ligações que vocês não controlam ou, num campo mais interno, você ou ela, não conseguem se concentrar no momento presente porque simplesmente estão com a mente em outros lugares, pensando na roupa que deveria ter levado para a lavanderia, no dentista das crianças que você precisa agendar, na conta de luz que venceu ontem e não foi paga. 

Ufa! Com essa quantidade de interrupções externas e internas, fica realmente desafiador ter um tempo de qualidade com a sua melhor amiga. Você está pensando naquilo na hora em que não pode fazer aquilo e o tempo com a sua amiga se acaba sem que vocês tenham conversado direito, cuidado da saudade e de nutrir de verdade a relação de vocês. 

Isso serve para outros cenários? Claro que sim! Basta lembrar dos momentos que você tem um documento importante para terminar e se perde em muitos momentos pensando em coisas que não tem nada a ver com o documento. Basta lembrar quando você chega em casa depois do trabalho e vai “brincar com as crianças”, mas fica a todo o tempo com o celular na mão ou pensando no bendito documento importante que você deveria ter terminado ou de uma informação essencial que você esqueceu de colocar nele.

Como cuidar disso?

A primeira coisa aqui é lembrar do estado de presença. A presença, quando você se concentra no aqui e no agora, é essencial para que você não seja pega nessa armadilha silenciosa e invisível. Estar atenta aos seus pensamentos te dá a condição de manter esse estado de presença. 

E, você também pode criar um “depósito de tem quê”, conforme o Geronimo Theml ensina no livro. Pode ser um arquivo no Notas do celular ou mesmo uma caderneta que você carrega consigo na bolsa. Toda vez que você se lembrar que precisa fazer ou deveria ter feito, faça a anotação para dar a devida atenção no momento oportuno e se volte para a atividade que você está desempenhando no momento. Presença!!

Então é isso, amoras! Finalizamos aqui 3 importantes vícios de produtividade que nada mais são do que  hábitos nocivos e improdutivos que praticamos diariamente sem perceber a armadilha que nos metemos. 

Eu espero que tenha feito sentido pra você. E se você amou esse artigo, deixe seu comentário e compartilhe com mais alguém que também precisa saber desses “vícios” e assim seguimos juntas, fortalecendo a corrente do bem.

Te vejo no próximo artigo! Vamos juntas!

Com carinho, Kelly Coimbra.

 

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