Taí uma expressão que não sai da mídia, mas, se perguntarmos o que significa “empoderamento feminino”, poucas pessoas vão saber responder com propriedade.  Pois bem, se você também tem essa dúvida fica comigo nesse texto em que eu busco trazer um pouco mais de clareza para essa questão e tudo mais que ela envolve, inclusive aquilo que não é alardeado pela mídia/redes sociais.

 

Nesse artigo você vai ver:

– Breve perspectiva histórica sobre o tema

– Como empoderar uma mulher que não acredita em si mesma?

–  Existem princípios para esse empoderamento?

– Os 7 princípios de empoderamento das mulheres, segundo a ONU

– 4 princípios internos  fundamentais para o empoderamento feminino

 

Breve perspectiva histórica sobre o tema

 

Empoderar pode significar dar ou adquirir poder para si próprio ou outra pessoa. Como uma adaptação do termo inglês  empowerment,   seu significado ainda não é unânime na língua portuguesa. Porém, para além das discussões sobre a origem do conceito de empoderamento, que não me parece ser importante aqui, é fato que  a expressão “empoderamento feminino”  está sendo  largamente utilizada nos meios digitais e ainda causa confusão quanto ao seu real significado.

 

A expressão é fruto de uma evolução histórica. Até bem pouco atrás as mulheres não tinham seus direitos básicos reconhecidos. Ao longo da história humana, elas tiveram sua inteligência e capacidades subjugadas, ora vistas apenas como reprodutoras, ora vistas como inferiores aos homens, daí que não poderiam ter os mesmos direitos.

 

Movimentos sociais que prezavam pela liberdade, igualdade e direitos naturais,  como Iluminismo, Revolução Francesa e Revolução Industrial  começaram a dar voz às mulheres que então passaram a se articular  em movimentos pelos seus direitos básicos que, à época, compunham a força de trabalho das indústrias, mas possuíam uma carga de trabalho maior e remuneração menor que a dos homens.  Vale registro também o movimento feminista negro que trouxe a realidade das mulheres negras para o cenário de discussão do movimento feminista original nos Estados Unidos da década de 60.

 

A partir desses movimentos, mulheres ao redor do mundo e em situações distintas se organizaram para lutar pelos seus direitos básicos ,  contra o opressão negra, o sexismo, a desigualdade de gênero  e o racismo, todos intimamente interligados.

 

O termo “empoderamento feminino”  tem sua origem cunhada nas conquistas desses movimentos que levantam a bandeira dos direitos das mulheres pela  igualdade de gênero, não violência, direito à educação, saúde, direito ao voto, entre tantos outros.

 

Mas, como empoderar uma mulher que não acredita em si mesma?

 

 

Hoje, essa expressão pode ser entendida também como um dos principais objetivos desses movimentos feitos por mulheres para mulheres: o de resgatar o poder de cada mulher, de dar voz à cada mulher, o de promover a conscientização individual para que no coletivo sejam realizadas as mudanças de ordem social, política, econômica, cultural e, porque não dizer, religiosas, no contexto atual da mulher. E é maravilhoso ver ao redor do mundo inteiro o levante de diferentes mulheres, com diferentes crenças e realidades, buscando trabalhar o empoderamento de outras tantas, num esforço conjunto de transformação da realidade em que vivemos na busca pelo equilibrio, a paz, a harmonia, o respeito e a igualdade entre homens e mulheres.

 

Porém, na minha modesta opinião, o termo empoderamento feminino está ainda além do contexto sócio-político-econômico-cultural mencionado acima. Para mim, trabalhar o empoderamento da mulher é ir mais fundo na origem das crenças que toda mulher alimenta a respeito de si mesma. Se não podemos alcançar o espaço onde estão armazenadas essas crenças mais profundas e ali realizar as transformações de ordem estrutural – intelecto-emocionais – que são necessárias, todo esse esforço no campo social  pode restar pouco frutífero.

 

Isso porque uma pessoa, uma mulher somente pode dar a si mesma ou à outra, se ambas reconhecem em si mesmas o seu poder interno pessoal, seus potenciais e habilidades, as forças que contribuem e impulsionam a construção de um espaço de respeito por si mesma, de atitudes concretas na busca da realização dos seus principais sonhos e objetivos.

 

A mudança se realiza de dentro para fora! Como empoderar uma mulher que não acredita em si mesma, que não possui  amor próprio suficiente para lhe conduzir à realização dos seus sonhos e objetivos, que não reconhece o seu próprio poder e que não acredita (ou não sabe que possui) nos recursos internos que possui para transformar sua própria realidade?

 

Se não dotarmos essa mulher contemporânea de conhecimento, mas também de competências e habilidades emocionais que lhe permitam recriar sua realidade, nossos esforços terão menos resultados do que poderíamos alcançar. O empoderamento feminino, na minha visão, parte de uma perspectiva individual para o coletivo: uma mulher que se cura, que se empodera, naturalmente impulsiona a cura e o empoderamento das mulheres ao seu redor, esteja ela consciente disso ou não.

 

Existem princípios para este empoderamento?

Nessa perspectiva de empoderamento feminino a partir desses movimentos sociais,  a ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres –   tem encabeçado várias campanhas sobre a temática ao redor do mundo, nas quais trabalha toda essa ideologia das discussões de gênero, sororidade, não violência, como também e, especialmente, o apoio ao empreendedorismo feminino, ao desenvolvimento de lideranças e à conscientização da comunidade empresarial mundial da importância de incorporar aos seus negócios práticas e valores que estejam em consonância com o empoderamento da mulher.

 

Assim, em 2010, a ONU Mulheres  em parceria com o Pacto Global das Nações Unidas, elaborou um grupo de princípios direcionados ao meio empresarial, publicado em documento chamado de  “Women’s Empowerment Principles”, ou seja, Princípios de Empoderamento das Mulheres, que visa orientar sobre práticas e valores relacionadas ao empoderamento das mulheres e à igualdade de gênero no ambiente de trabalho, no mercado de trabalho e na sociedade de maneira geral.

 

 

São eles, os 7 Princípios de Empoderamento das Mulheres, segundo a ONU 

 

 

  1. Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível.
  2. Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação.
  3. Garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa.
  4. Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres.
  5. Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e marketing.
  6. Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social.
  7. Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.

 

Interessante notar que a ONU Mulheres busca trazer esses princípios à comunidade empresarial mundial por entender que o empreendedorismo é, atualmente, um dos mais poderosos instrumentos de transformação da sociedade e, especialmente, de empoderamento dessa mulher que se torna capaz de ser líder de si mesma, de tomar decisões e conduzir sua própria vida de maneira independente e realizadora.

 

Por outro lado, partindo do pressuposto que o empoderamento da mulher também (e principalmente) ocorre a partir da perspectiva que ela tem sobre si mesma, ou seja, começa de dentro para fora, considero imprescindíveis os princípios abaixo mencionados.

 

Os 04 princípios internos fundamentais do empoderamento feminino

 

 

1. AUTOCONHECIMENTO

Muitas mulheres se veem impotentes frente aos desafios da vida, sem forças para fazer as mudanças que entendem necessárias, sem mesmo saber por onde começar e isso pouco tem a ver com a preparação educacional, o nível intelectual que ela tem.   Existem muitas mulheres com profissão regular, talvez até uma carreira estruturada que tem dificuldade de se colocar ativamente diante dos obstáculos ou  de se posicionar diante de pessoas ou situações abusivas.

 

Somente quando uma mulher se permite adentrar o seu universo particular e identificar seus pensamentos e emoções dominantes, entende seu processo de tomada de decisões, reconhece seus pontos fortes e também suas limitações e tudo o que, a princípio, surge como um impedimento ao seu crescimento pessoal e profissional, e  o que é necessário fazer para crescer e evoluir, é que se pode começar a falar em empoderamento.

 

Isso tudo porque não adianta buscar fora o que só é possível encontrar dentro da gente,   há uma frase que que gosto muito e que espelha bem esse entendimento: “o verdadeiro problema é a ausência de si mesma, é não ter conquistado a si mesma”.

 

2.AMOR PRÓPRIO

O amor próprio é o sentimento de estima, dignidade e respeito que uma pessoa tem por si mesma. Dele decorrem a autoestima, autoimagem positiva, autoconfiança e a segurança.

 

Assim, uma mulher que se desconectou do  seu amor próprio jamais poderá ser/estar empoderada enquanto não resgatar o seu senso de valor pessoal.

 

A percepção que a mulher tem de si mesma surge das suas experiências de vida, com destaque para as situações vivenciadas na infância onde é formada sua personalidade, dita como ela se vê emocionalmente, suas qualidades/defeitos e por conseguinte, também como ela se comporta diante da vida, como enfrenta os desafios, como ela se relaciona com o mundo interior e exterior.

 

Uma mulher que está desconectada do seu amor próprio tende a não se valorizar, a não reconhecer seu poder, sua capacidade e seus pontos fortes. A insegurança e a falta de confiança em si mesma impedem essa mulher de desenvolver e viver com todos os seus recursos, de realizar todo o seu potencial, de se sentir empoderada.

 

3.AUTORRESPONSABILIDADE

 

O que acontece na nossa vida pessoal ou profissional ou pessoal, seja bom ou ruim, é uma resposta às nossas decisões (ou silêncio), ao nosso comportamento (ou omissão), aos nossos pensamentos e sentimentos. Ou seja, nossas escolhas, conscientes ou inconscientes que direcionam nossas ações e nossos caminhos, sendo importante também entender que nossas omissões também são escolhas, não somos vítimas de qualquer pessoa muito menos das circunstâncias, ou nos colocamos onde estamos ou nos permitimos estar lá!

 

Eu costumo dizer que entender essa verdade é ao mesmo tempo assustador e empoderador. Sim, é assustador perceber que se a vida não tá legal nós somos as responsáveis por isso.

 

Por outro lado, é empoderador porque te permite entender que se eu você está nesta situação hoje, será você a única pessoa capaz de te tirar de lá e te levar para onde você gostaria de ir.

 

É empoderador também porque você entende que nada está fora do seu controle, por mais que pareça estar. Você sempre pode mudar a rota, fazer novas escolhas, agir de forma diferente porque só você sabe para onde gostaria de ir e sabe também que precisa fazer algo diferente se as ações não te conduzindo para onde você estaria feliz e realizada.

 

4.INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

 

A inteligência emocional é reconhecida atualmente como um dos maiores pilares dos grandes líderes mundiais. Liderança é não só a capacidade de liderar outras pessoas, mas também a capacidade de liderar a si mesma, algo essencial quando se fala em empoderamento.

 

Mas, não é só isso.  Autoconhecimento, autocontrole, automotivação, empatia e habilidades sociais são competências da inteligência emocional essenciais ao empoderamento feminino.

 

A capacidade que uma mulher tem de gerenciar suas próprias emoções e das pessoas com as quais se relaciona cotidianamente, de se manter focada e automotivada na realização dos seus sonhos e objetivos, de reconhecer seu potencial, suas forças e maiores recursos, de desenvolver liderança pessoal dá a ela os elementos essenciais ao verdadeiro empoderamento.

 

 Esses são os quatro pilares, a meu ver, essenciais ao empoderamento feminino que tanto se busca atualmente. Dotar as mulheres da preparação emocional e mental adequada, ressignificando as crenças limitantes, resgatando seus recursos internos e seu poder pessoal é a única maneira realmente efetiva de concretizar esse espaço onde as conquistas obtidas com os movimentos sociais se realizem e permitam a qualquer mulher viver toda a sua plenitude e potencial. Isso sim é empoderar uma mulher! 🙂

 
 

 

 

 

 

 

 

“Quando as mulheres estiverem plenamente conscientes do seu poder, elas poderão usá-lo para transformar a si mesmas e ao mundo ao seu redor.” Mirella Faur

 

 

 

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*Imagens obtidas na internet
Kelly Coimbra

Kelly Coimbra é advogada, empresária, consultora e transformational coach.

Possui 19 anos de experiência na área jurídica, tendo exercido cargos de liderança no 1o, 2o e 3o setor, com destaque para atuação como advogada e consultora jurídica de vários organismos internacionais e órgãos de relevância do Governo Federal.

Durante 5 anos teve seu próprio escritório de advocacia, no último como sócia proprietária do Coimbra e Maciel Sociedade de Advogados trabalhou nas diversas áreas do direito, notadamente em Direito Civil, Processual Civil, Administrativo e Constitucional tanto em âmbito administrativo (assessoria) quanto judicial, primeira instância e Tribunais, com atuação ativa em audiências e suporte consultivo aos clientes.

Foi servidora do Poder Judiciário de Goiás e, posteriormente trabalhou 10 anos como consultora jurídica especializada na Organização das Nações Unidas, mais especificamente na UNESCO, no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e também foi consultora jurídica da Organização de Estados Iberoamericanos – OEI, em projetos voltados à área de educação.

Possui 12 anos de experiência no Governo Federal, desempenhados no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) quando atuou como assessora da procuradora-chefe na análise de processos judiciais e administrativos, com elaboração de normativos regulamentares internos, no âmbito da Administração Pública.

Na diretoria financeira do FNDE atuou como líder e gestora de uma equipe de mais de 50 pessoas, assumindo sob sua responsabilidade mais de 30 mil processos para análise de prestação de contas de convênios, possuindo experiência com gestão pública, gestão administrativa e pessoal, supervisão de equipe, multiplicadora e facilitadora de discussões. Dentro da mesma diretoria financeira esteve na liderança de uma equipe de mais de 20 advogados responsáveis pela análise e fornecimento de subsídios em ações judiciais envolvendo o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).

Transformational Coach, Master em PNL, Hipnoterapeuta possui 4 e-books lançados: Como estabelecer metas e objetivos neurologicamente corretos – O Guia Definitivo; Descubra o segredo por trás da inteligência emociona; 7 passos para terminar o ano do jeito que você gostaria e Cansada de não atingir seus objetivos? Conheça os 10 princípios das metas poderosas e leve sua vida para outro nível.

Já realizou treinamentos e programas de desenvolvimento pessoal para mais de 200 mulheres, impactando não somente advogadas, mas empresárias, servidoras públicas e profissionais liberais, tendo palestrado na OAB-DF, Secretaria Municipal de Educação de Cristalina-GO, Casa Flor, FNDE,
Paralelamente, desenvolve o projeto social de empoderamento feminino: Projeto FloreSER.

Mestranda em Direito Empresarial com ênfase em Mediação, Negociação e Resolução de Conflitos, especialista em Direito Público, especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil, auxilia mulheres advogadas a desenvolver alta performance e realizar objetivos, resgatando seu poder pessoal por meio do desenvolvimento da inteligência emocional.

Membro da Comissão da Mulher Advogada e da Comissão de Mediação da OAB/DF.

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