Muitas mulheres me procuram em treinamentos, palestras para compartilhar a sensação de que não estão conseguindo ser produtivas, que sentem bater o cansaço no final do dia e isso sempre vem acompanhado daquela sensação de “o dia terminou e eu não fiz nada”.  

 

No caso das mulheres advogadas, muitas estão estressadas ou confusas, outras acreditam que a carreira está estagnada, outras ainda sequer conseguem ter um tempo de qualidade com as pessoas que amam.

 

Mas, quer saber a verdade? Um dos maiores sofrimentos da falta de produtividade não está descrito nas linhas acima, mas ele pode ser tão arrebatador quanto!

 

Eu me refiro à sensação de incompetência que surge quando não conseguimos entregar o trabalho com excelência: aquela peça recursal importantíssima que só conseguimos fazer na última hora, a audiência que foi feita “nas coxas” porque não tivemos tempo de rever o processo e os pontos importantes para a audiência e até mesmo o atraso para os compromissos profissionais agendados com antecedência.  

 

Isso tudo gera no seu cliente a impressão de que você não se importa com ele, é como se, apesar da contrapartida financeira que ele se comprometeu a cumprir, você não está de fato comprometida com ele.

 

Esse sofrimento pode ir além, ele pode estar presente quando você trabalha como um “burro de carga”, mas nunca tem dinheiro por não trazer resultados para o escritório. Em não conseguir programar o crescimento da carreira, por não sobrar tempo suficiente nem mesmo para fazer as atividades rotineiras do dia-a-dia.

 

E, para completar o pacote, você pode ainda sofrer com o fato de transmitir a falsa ideia às pessoas que você ama de que você não se importa com elas, pois nunca está presente na vida delas. 

 

Sim, eu sei que é duro encarar isso tudo, mas, se você se identifica com uma dessas situações, a única chance de corrigir algo que não está funcionando bem é identificando onde está a(s) falha(s)!

 

Nos últimos artigos que eu trouxe para você, eu afirmei como a falta de equilíbrio na nossa vida, aliada ao excesso de tarefas improdutivas afetam nossas emoções e a nossa capacidade de ser mais produtivas.

 

É uma loucura pensar que estamos em 2019 e ainda não temos uma orientação clara da importância  no desenvolvimento a capacidade de fazer gestão emocional de nós mesmas.

 

Não é por acaso que a advocacia é uma das profissões mais estressantes do mundo, que esteja entre as menos saudáveis ou tenha profissionais com propensão a sofrer de episódios depressivos. Nós lidamos com conflitos na maior parte do tempo, sendo bem honesta nós lidamos com o lixo emocional da sociedade.

 

Agora eu te pergunto, quando é que você foi preparada para isso? Como é que você pode lidar com todos esses conflitos de origem externa e ainda lidar com os seus próprios conflitos, sejam eles internos (da sua própria mente) ou interpessoais?

 

Dentre as cinco habilidades da inteligência emocional, eu escolhi trazer para você duas delas, as que estão mais relacionadas com o aspecto da gestão emocional que, por sua vez, está diretamente relacionado com o aumento da produtividade.

  1. Autoconsciência (autoconhecimento): “significa estar “consciente ao mesmo tempo de nosso estado de espírito e de nossos pensamentos sobre esse estado de espírito”.

 

 

É a capacidade de reconhecer as próprias emoções, de como estamos sentindo internamente. Pessoas que não tem essa habilidade desenvolvida estão à mercê dos sentimentos, pois não são capazes de analisar e monitorar suas emoções, agem por impulso e quase sempre com exagero, dominadas por sentimentos turbulentos. Ao contrário, pessoas autoconscientes são capazes de ser melhores condutoras da própria vida.

 

Todos nós conhecemos alguém que não consegue conter seus impulsos e vive se metendo em confusão desnecessariamente. Sabe aquele advogado que perde a cabeça (e o controle) em qualquer situação? Ou aquela chefe que não consegue conduzir uma reunião sem se exceder com seus colaboradores ou aquela pessoa que sempre tem uma resposta à altura, não leva desaforo para casa, doa a quem doer?

 

Então, essas pessoas não estão conscientes dos seus sentimentos e emoções, não agem por si mesmas, mas em função das suas emoções sejam elas boas ou ruins. Pessoas autoconscientes dificilmente agem por impulso porque conseguem perceber a tempo (de não por tudo a perder) como estão se sentindo, que emoções estão produzindo e adotar a postura adequada ao momento, em especial por conseguir antecipar os efeitos nocivos que a impulsividade pode lhes trazer. São aquelas pessoas que param e respiram fundo antes de “meter os pés pelas mãos”.

 

2. Autonomia emocional: é a capacidade de manter sob controle as nossas próprias emoções, aquelas que nos afligem, algo que é essencial para o bem estar e a produtividade

 

 

 

O objetivo é o equilíbrio e não a eliminação das emoções. “A capacidade de manter o autocontrole, de suportar o turbilhão emocional que o acaso nos impõe e de não se tornar “escrava da paixão”, tem sido considerada, desde Platão, como uma virtude”.  Não conseguir ter autonomia emocional afeta nossas habilidades para tomar decisões, afeta a produtividade e a eficácia também despenca. O pior é que isso não tem consequência só para a pessoa envolvida, mas também para equipes e organizações inteiras, pesquisas demonstram que líderes que sentem mais sobrecarregados com a pressão no trabalho, consequentemente mais estressados ou irritados, lideravam equipes com o pior desempenho e os lucros líquidos mais baixos.

 

Está bom para você?  Agora, pense isso para uma mulher advogada que precisa estar a todo tempo no controle de inúmeras tarefas em contextos diferentes, como a condução do lado profissional, o cuidado com os filhos, a relação com o companheiro de vida, a família, os amigos?  Não é de se admirar que haja tantas mulheres padecendo de estresse, depressão, acometidas com problemas do coração e outros males.

 

 

 

Já ouviu falar do efeito tetris negativo?

 

 

 

De forma simples, é quando um cérebro tem um padrão que o estresse e a negatividade. Nós temos padrões mentais, de sentimentos e comportamentais que reproduzimos repetidamente ao longo da vida, de acordo com a nossa programação principal.

 

Sabe aquela pessoa que entra em qualquer lugar e sempre encontro um motivo para reclamação, um defeito? Elas não estão se esforçando para serem difíceis ou irritantes, o cérebro delas simplesmente tem esse padrão mental negativo.

 

E, pasme! Há profissões que recebem por isso: advogados, contadores, auditores, médicos talvez, entre várias outras profissões estressantes tem uma tendência a ter um padrão de pensamento negativo. No caso dos advogados, nós fomos treinados para encontrar o erro, a falha, o problema e somos bem remunerados quando fazemos isso com maestria.

 

O problema é quando levamos isso para todas as outras áreas da nossa vida, o que não é difícil acontecer porque simplesmente se trata de um padrão. Não preciso falar das consequências desse padrão negativo na vida das advogadas, né? Depressão, estresse, ansiedade, síndrome de pânico, pressão alta, problemas de saúde, baixo desempenho e a lista é imensa.

 

A verdade é que se temos um cérebro nesse efeito tetris negativo, nós podemos treiná-lo para ser positivo. Mas, você ainda está em dúvida se isso de ser mais positiva realmente funciona, não é?  Então, vamos aos fatos (todos extraídos do livro “O jeito Harvard de ser feliz”), pois, contra fatos não há argumentos.

 

 1. Pessoas que trabalham com chefes estressados, mal humorados tem 30% mais chance de desenvolver problemas de coração, pressão alta e outros. Imagine o chefe?!

 

2. As emoções positivas afetam nosso cérebro e alteram nosso comportamento com uma vantagem química concreta: elas inundam nosso cérebro com dopamina e serotonina, substâncias que não só nos fazem nos sentir melhor como ativam e potencializam os centros de aprendizado do cérebro, possibilitam pensar com mais rapidez, ter boa memória,  criatividade e produtividade.

 

 3.  Pessoas sem vínculo social tendem a ter 3 vezes mais chances de sofrer de depressão (cadê o equilíbrio?)

 

4. Colaboradores ganham com interações sociais positivas, podem trabalhar mais tempo, com mais foco mesmo em situações mais difíceis. Duas cabeças pensam melhor que uma e a forma como as pessoas se sentem em relação às outras pode determinar os resultados da equipe (ou da família)

 

   5. Pessoas que expressam mais emoções positivas ao negociar acordos são mais eficientes e bem-sucedidas do que pessoas com uma postura neutra ou negativa.

 

A universidade de Harvard fez um estudo de praticamente todos os estudos feitos sobre felicidade, estudos com mais de 275 mil pessoas e a conclusão foi a seguinte:  a felicidade (emoções positivas) leva o sucesso em praticamente todos os âmbitos da vida: no trabalho, na saúde, nas amizades, sociabilidade, criatividade, produtividade e energia.

 

Esse é o grande segredo de pessoas que produzem muito e ainda tem tempo para viver os outros papéis da vida além do trabalho. Eles constroem, consciente ou inconscientemente, padrões mentais positivos, buscam alcançar estados emocionais positivos, eles fazem a melhor gestão emocional de si mesmos que são capazes de fazer.

 

Sem dedicar atenção ao fator emocional, você simplesmente não terá energia física, mental e emocional para ser produtiva, para alcançar os resultados que busca, para ter satisfação na vida, para ter sucesso.

 

E que fique claro, o sucesso não é uma corrida de 100 metros, e sim maratona. Uma maratona é feita em aproximadamente 42 km, mas, você não faz isso num único passo, ao contrário, a probabilidade é de que você precisa dar mais de 40 mil passos para concluir o trajeto.  E a cada passo dado você está fazendo gestão emocional de si mesma, apaziguando seu diálogo interno que quase sempre é enfraquecedor, se colocando numa postura de vitória, alimentando a imagem da prova realizada, reconhecendo e valorizando cada passo dado desde o começo para que fosse possível chegar até ali.

 

Isso é fazer gestão emocional de si mesma! É ter autoconsciência e autocontrole, é usar suas emoções de forma que elas possam te favorecer e não te prejudicar gerando estresse, desânimo, ansiedade, depressão e muito mais.  Gerenciar o nível de energia que você precisa ter para conseguir ser mais eficiente e produtiva tem a ver com isso de gerenciar o seu estado emocional. Sem isso perde-se o foco, o direcionamento, perde-se o caminho.

 

Um caminho para começar é começar a observar qual o seu estado emocional dominante ao longo do dia, se possível faça anotações sobre isso. Assim que começar a se perceber num estado emocional negativo, busque direcionar o pensamento e as ações para algo emocionalmente melhor, por exemplo, saia do ambiente e tome um café, faça uma pausa para um café, saia do ambiente e circule um pouco em outros lugares, recorde momentos felizes de você com seus filhos, família, amigos ou qualquer outra coisa que te faça se sentir melhor.

 

 “O homem que tem coragem de desperdiçar uma hora do seu tempo não descobriu o valor da vida.” Charles Darwin

 

Com carinho,

 

Kelly Coimbra

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