Pasme! O Brasil tem 1 advogado para cada 190 habitantes! 

Se você olhar a questão do Distrito Federal, por exemplo, esse número que já é alarmante por si só, pode se tornar dramático! Segundo artigo veiculado no site Migalhas, “De 2008 para cá, o DF manteve-se como o Estado com o mais alto índice de advogados. Se antes havia um advogado para cada 140 pessoas, há agora um profissional para cada 73.”

Nesse mar de advogados(as)  resta claro que não adianta mais sair da faculdade e investir pesado apenas em cursos técnicos colecionando títulos e títulos,  especializações, mestrado, doutorado, pós-doutorado.

Isso é o que a maioria dos profissionais faz e se você realmente quer se destacar da multidão, não há outro caminho: é essencial investir em outras áreas de domínio, outras áreas de conhecimento, no desenvolvimento de novas habilidades e até de novos hábitos, tudo com o intuito de se tornar uma profissional com diferencial competitivo que vai além do que é ensinado nos cursos de Direito.

Pois bem, eu tenho falado sobre isso aqui no Blog da Advogada. Meu último artigo fala exatamente sobre os desafios por trás do glamour da profissão e como o empreendedorismo ganhou papel de destaque na construção dessa nova profissional da advocacia que busca alto desempenho e performance. 

Hoje eu quero falar com você sobre a competência do século e porque ela é essencial para qualquer advogada que busque alta performance com qualidade de vida.

A competência do século não é conhecimento técnico

A cultura empresarial (mundo corporativo) costuma atribuir ao intelecto destituído de emoção um grande valor. Ainda é comum acreditar que competências atribuídas ao hemisfério racional do cérebro sejam o grande diferencial para que as pessoas obtenham sucesso e alta performance. 

Na hora de avaliar um potencial profissional de sucesso e até mesmo um empreendedor, é comum buscar apenas qualidades tangíveis: capacidade intelectual, raciocínio lógico, diplomas, títulos, experiência profissional, capacidade de planejamento e por aí vai. É óbvio que todos esses fatores compõem o conjunto da advogada bem sucedida, porém, eles estão longe de serem os únicos ou mais importantes. 

Numa pesquisa realizada pela IMC Consultoria Empresarial, que ouviu profissionais de RH de 68 empresas concluiu-se que: 75% deles afirmam que, hoje, ter inteligência emocional conta mais do que a técnica na hora de conseguir uma vaga ou ser promovido. Já para Tom Peters, um dos gurus da administração empresarial, a divisão é ainda mais expressiva: o sucesso nos negócios dependeria 85% da inteligência emocional e só 15% da tecnologia. Peters é um dos autores do best-seller “In search of excellence” ou “Vencendo a crise”, como editado no Brasil.

Pois bem, com esse “boom” da neurociência e as recentes descobertas acerca do  funcionamento do cérebro, não resta mais dúvida que a inteligência acadêmica, o QI, está longe de ser determinante do sucesso.

Todavia, há quem ainda entenda que a inteligência intelectual é  mesmo melhor que as emoções. Todavia, não só as pesquisas tem demonstrado como a própria observação da vida prática tem demonstrado que um profissional bem sucedido é fruto do uso equilibrado e inteligente dos dois hemisférios cerebrais (sentimento e pensamento).  E, num sentido muito real, as emoções são sim mais poderosas que o intelecto

As emoções são sim mais poderosas que o intelecto 

No livro O poder da Inteligência Emocional – como liderar com sensibilidade e eficiência, Daniel Goleman, o pai da Inteligência Emocional, nos explica que as as emoções guiaram a sobrevivência humana ao longo da evolução, um arranjo que funcionou bem em 100 milhões de anos:  alertar de alguma coisa urgente e oferecer um plano de ação imediato: encarar, fugir ou congelar.  

E elas continuam sendo cruciais para a sobrevivência humana, pois, em momentos de emergência, nossos centros emocionais – o cérebro límbico – comandam o resto do cérebro e  são a maneira de que se utiliza o cérebro para nos alertar de alguma urgente. O cérebro pensante desenvolveu-se a partir do cérebro límbico e continua a receber ordens dele quando percebe uma ameaça ou está sob estresse.

Fato é que nos últimos 10 mil  anos e na civilização avançada de hoje, onde enfrentamos complexas realidades sociais (exemplo, a sensação de quem alguém nos está tratando mal) com um cérebro projetado para sobreviver a emergências físicas. E assim podemos nos ver sequestrados – tomados pela ansiedade ou pela raiva, mais adequadas para lidar com as ameaças físicas do que para as sutilezas políticas de um escritório (quem é esse cara pensa que é? Eu poderia lhe dar um soco!).

Felizmente, esses impulsos emocionais passam por um extenso circuito que vai da amígdala à área pré-frontal (centro executivo do cérebro), que analisa informações de todas as partes do cérebro e decide como agir (e aí você se lembra que esse “cara” é quem faz sua avaliação anual, para e espera um pouco pra ver o que ele vai dizer, se é isso mesmo que você está pensando). Esse diálogo é como se fosse uma autoestrada de informação que ajuda a orquestrar pensamento e emoção . 

E é aqui que entra a inteligência emocional, entendia como a “capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos” pessoais ou profissionais.

É a intersecção dos hemisférios racional esquerdo e emocional direito, de razão e emoção, pensamentos e sentimentos. As aptidões da inteligência emocional resultam do entrelaçamento do nosso intelecto com as nossas emoções

Goleman afirma que qualquer outra aptidão que tenhamos, será melhor utilizada, inclusive a capacidade intelectual, quando entendermos e gerenciarmos melhor nossas emoções, apresentando a aptidão emocional como uma metacapacidade essencial ao sucesso.

O que a competência do século, a Inteligência Emocional,  tem a ver com a Advocacia? 

A carga de pressão e estresse com que as advogadas tem que lidar diariamente no exercício da profissão, por si só, já seria motivo mais que suficiente para justificar porque o desenvolvimento da competência emocional é essencial à advocacia. Mas, não é só, advogadas e advogados lidam diretamente com a emoção das pessoas, não importa a posição em que elas estejam em sua vida.

Ser advogada é sinônimo de lidar com problemas em praticamente 100% do tempo, de lidar com as emoções (positivas  e/ou negativas) das outras pessoas, para além de ter que lidar com os nossos próprios problemas e questões pessoais e profissionais.

Não bastasse isso, um ponto importante a ser considerado é que as emoções são contagiosas, sejam elas positivas ou negativas. No caso das negativas, dá  só uma olhada em alguns impactos:

  • Emoções negativas – raiva crônica, ansiedade, sensação de inutilidade – prejudicam gravemente o trabalho, sequestrando a atenção que deveria estar concentrada na tarefa a ser executada. 

 

  • A angústia não só prejudica a capacidade mental, como também torna as pessoas menos inteligentes emocionalmente.

 

  • Pessoas aborrecidas tem dificuldades de interpretar corretamente as emoções alheias, prejudicando as habilidades sociais/empatia.

 

As emoções que as pessoas sentem no trabalho, de acordo com novas descobertas sobre satisfação no emprego, refletem mais diretamente a verdadeira qualidade da vida profissional. Nenhuma novidade até aqui, se pensarmos a quantas anda o exercício da advocacia ou, como escrevi num artigo recente: A advocacia está doente e vive à base de psicotrópicos 

O mar não está para peixe, fato, note os dados que eu trouxe no início do artigo. Isso por si só já mexe o fator emocional de qualquer ser humano médio, mas ainda  temos outros tantos desafios no exercício da profissão, alguns dos quais sequer tivemos algum tipo de preparação, como é o caso do empreendedorismo na advocacia. 

Carlos Wizard Martins, um dos grandes nomes do empreendedorismo no Brasil atualmente, alerta que um dos fatores determinantes para o sucesso na administração de um negócio é o desenvolvimento da inteligência emocional. 

Embora no universo corporativo ainda não se tenha em conta que os fatores emocionais interferem nos negócios, é preciso ter em conta que quem move os negócios são as pessoas e as suas emoções, não importa de qual lado da equação você esteja. 

Uma pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor – GEM, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, apurou que a cada 100 brasileiros adultos 20 estavam envolvidos com atividades empreendedoras em 2016.  Esse seria um ponto positivo a ser comemorado não fosse o fato que essa veia empreendedora perde força e morre logo no primeiro ano de vida do empreendimento. 

Matéria publicada no site Exame, com a pesquisa GEM 2017 mostra que “no que diz respeito às habilidades, conhecimentos e experiências para a abertura de um empreendimento, o brasileiro se mantém “autoindulgente”, ou seja, para 55,6%, eles próprios reúnem plenas condições cognitivas e operacionais para se aventurarem em uma empreitada empreendedora. No entanto, não basta ter tino comercial, habilidade de gestão, visão empreendedora, liderança nata ou dinheiro sem inteligência emocional.

Não temos muitos dados sobre essa temática no universo da advocacia, mas, não seria leviano dizer que advogadas e advogados não estão muito distantes dessa realidade e, especialmente, porque em sua grande maioria, são profissionais que ainda não enxergam a importância de investir também no desenvolvimento das competências emocionais e seguem a vida dando “murro em ponta de faca”, cometendo os mesmos erros e garantindo os mesmos resultados de sempre. 

O Portal Migalhas também trouxe um artigo interessante com a temática Inteligência Emocional aplicada ao Direito: caminho do sucesso, cujos autores afirmam em determinado trecho: “Adentrando no contexto do debate jurídico, a capacidade do advogado de dominar suas emoções, e também de orientar o comportamento de seu cliente, é um importante diferencial para se atingir o sucesso nas negociações e demandas jurídicas e, com isso, otimizar os resultados. O advogado que souber se relacionar bem com os seus pares e com os interlocutores do processo (serventuários da justiça, magistrados, promotores e colegas adversários) leva vantagem, pois contornará as provocações, ironias e ofensas, e até mesmo impedirá que seu ego possa impactar negativamente no deslinde da questão, para se preocupar com o que realmente interessa e, assim, alcançar bons resultados.” 

Não ter autonomia emocional é uma das razões pelas quais advogadas e advogados reduzem suas oportunidades de ascensão, perdem na condução de acordos e transações comerciais, tem dificuldades de captar e manter uma boa cartela de clientes, de fazer parcerias promissoras e até mesmo de ver reconhecida a sua capacidade técnica, sua autoridade e liderança. 

Desenvolver as  competências da Inteligência Emocional é hoje, condição  sine qua non a qualquer profissional da advocacia que pretenda obter sucesso na carreira, alta performance, autoridade e reconhecimento e ainda assim ter qualidade de vida.

Quais são as competências da Inteligência Emocional, afinal?

Advogadas de alta performance precisam  de intelecto suficiente para compreender os detalhes e desafios das missões que lhe são confiadas. Ninguém pode desmerecer que o pensamento analítico e conceitual agregam valor, são habilidades essenciais que abrem as portas de uma carreira bem sucedida.

Todavia, essas habilidades por si só não são suficientes para a construção e sustentação  de uma carreira sólida e bem sucedida com qualidade de vida e tempo para as demais áreas importantes da vida de qualquer ser humano. 

Os sistemas neurais responsáveis pelo intelecto e pelas emoções são separados, mas tem conexões intimamente entrelaçadas. O circuito cerebral que entrelaça pensamento e sentimento é a base da alta performance e da liderança.

Ora, pássaros de uma asa só não podem voar! A Inteligência Emocional, portanto, não é o triunfo do coração sobre a cabeça, tampouco é o oposto da inteligência racional, é sim a intersecção dos hemisférios racional esquerdo e emocional direito, de razão e emoção, pensamentos e sentimentos. 

Segundo Daniel Goleman, a Inteligência Emocional compõe-se de 4 pilares, um conjunto essencial de habilidades que pode ser compreendida em dois blocos distintos:

  • Competências pessoais: o modo como nos conduzimos. Divide-se em:
  1. Autoconsciência:  ter conhecimento profundo das próprias emoções, bem como das próprias forças e limitações e dos próprios valores e motivos.  A autoconsciência é o alicerce de todo o resto. 
  1. Autogestão emocional: Da autoconsciência – compreender as próprias emoções e ter clareza de propósito – decorre a autogestão emocional. Sem saber o que estamos sentindo não temos condição de lidar com tal sensação, nesse caso nossas emoções é que nos controlam. 

 

  • Competências sociais: o modo como administramos nossas relações. Divide-se em:
  1. Consciência social: A capacidade de estabelecer empatia em sua forma mais básica, crucial para a tarefa de pessoas que tem a liderança como carro-chefe do seu exercício profissional e que necessariamente precisam expressar sua mensagem de um jeito que não mexa com as emoções alheias negativamente, que gere ressonância e também a capacidade de identificar valores e prioridades compartilhados em um grupo.
  2. Gestão de relacionamentos: Aqui encontramos ferramentas como persuasão, administração de conflitos e colaboração entre elas. Gerir relacionamentos com habilidade resume-se a lidar com as emoções alheias cientes das suas próprias emoções e afinados por empatia com as pessoas com as quais está em contato. Líderes socialmente habilidosos tendem tendem a criar ressonância com círculo mais amplo de pessoas. 

Depois de conhecer um pouco mais sobre a competência do século, eu deixo para você a seguinte reflexão:  Quem eu sou hoje, com meus pontos fortes e limitações está muito distante da pessoa/profissional que eu quero ser?  O desenvolvimento das habilidades da Inteligência Emocional me aproxima ou me afasta dos resultados e objetivos que busco realizar?  Ao me tornar uma profissional com inteligência emocional desenvolvida eu realmente terei um diferencial competitivo nesse mar de advogadas e advogados despejados no mercado todos os dias?

Se você disse sim a pelo menos uma das indagações acima você está pronta para iniciar sua trajetória de advogada de alta performance e, mais que isso, ser uma mulher inteligente emocionalmente e colher os benefícios que essa competência nos traz.

Não é por acaso que a gestão emocional é um dos pilares do programa Advogada de Alta Performance! É com embasamento científico e resultados comprovados que estamos construindo dia-após-dia o entendimento de que se trata de uma habilidade essencial a ser buscada pelos profissionais da advocacia e inserida pelas universidades nas grades curriculares do curso de Direito.

Espero que tenha feito sentido pra você. Marque as pessoas que você ama e podem se beneficiar desse conteúdo, dê o seu like e se quiser comentar os insights que você teve, eu vou amar saber!

Até o próximo artigo!

Com carinho, 

Kelly Coimbra

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