Eu quero começar esse artigo com uma pergunta:

A sua vida funciona?  Se eu te pedir para identificar quais áreas da vida funciona e quais não funcionam, o que vai prevalecer?

 

Para entender o que está por trás da procrastinação e da autossabotagem é preciso pensar, primeiramente, sobre a realidade das  diversas áreas da nossa vida. É óbvio que nem todas as áreas da vida estão  funcionando bem ao mesmo tempo, eventualmente teremos áreas que funcionam e áreas que não funcionam ao mesmo tempo, ou até mesmo áreas que não estão funcionando de maneira nenhuma. 

 

Vou te dar um exemplo: às vezes a sua  área da saúde funciona porque se alimenta de maneira saudável e se dedica ao sono de qualidade, mas, a mesma área pode não funcionar se você, por exemplo, não pratica nenhum tipo de atividade física. Ou seja, uma alimentação saudável e sono de qualidade são essenciais para a saúde tanto a atividade física, o sedentarismo mostra que algo não está funcionando aí nessa área e, mais dia menos dia, irá apresentar seus sinais. 

 

Essa análise do que funciona e não funciona, alcança a reflexão se  estamos fazendo aquilo que realmente nos satisfaz e se o que estamos fazendo hoje nos levará a como queremos viver nos próximos anos. Já parou para pensar em como será sua vida se você continuar agindo exatamente como está agindo hoje?

 

Por isso, é necessário ter em mente que, se buscarmos reconhecer o que há dentro de nós mesmos, bem como analisarmos criticamente todos os aspectos da nossa vida, conseguiremos lidar com a procrastinação e curar as questões que levam à autossabotagem e aí sim,  começar a construirmos hoje o amanhã que queremos viver.

 

É essencial entender que o seu futuro depende do que você tem feito hoje ou do que você não tem feito e deveria estar fazendo e ainda do que você já tem e deve manter, quem você tem sido e o que você sente sobre isso. Para se livrar da procrastinação e autossabotagem é fundamental pensar a respeito dessas questões.

 

Mas primeiro é importante diferenciar a procrastinação da autossabotagem, comportamentos que tanto atrapalham o nosso dia a dia, produtividade e desenvolvimento. Vamos lá!

 

Procrastinação e autossabotagem: o que é?

É muito comum as pessoas confundirem a procrastinação e a autossabotagem, mas elas reservam algumas diferenças entre si. E, para conseguir superar esses hábitos, é importante conseguir identificar cada um deles.

 

A procrastinação é o ato de adiar algo ou de prolongar uma situação. Por exemplo, quando você sabe que tem que fazer algo e não faz, deixando para amanhã ou depois porque simplesmente não consegue iniciar a tarefa ou dar continuidade, pois algo a impede.

 

Já a autossabotagem pode ser entendida como algo um pouco mais grave. Como o nome sugere, esse é o hábito de sabotar a si mesma, ou seja, de realizar ações que causam danos que nos afastam dos nossos objetivos.

 

Dessa forma, na procrastinação prolongamos a realização de algo, enquanto na autossabotagem causamos prejuízos que impedem nossos avanços. Mas, apesar de suas diferenças, ambos podem estar relacionados à baixa autoestima, falta de autoconfiança,  ansiedade, estresse, dificuldade de relacionamento e outros sentimentos que nos afastam dos nossos objetivos, como frustração e alimentação de crenças de não merecimento e incapacidade.

 

 

De onde surgem a procrastinação e a autossabotagem

Agora que já sabemos o que são cada um desses hábitos, é preciso entender de onde eles se originam. Podemos entender, portanto, que a procrastinação e autossabotagem têm origem nos nossos paradigmas. E no caso das mulheres, não apenas nos paradigmas individuais que carregamos em nós, mas também naqueles que se encontram em uma perspectiva mais ampla, social e cultural.

 

Nós, mulheres, vivemos em uma sociedade repleta de paradigmas que nos dizem como devemos ser, o que podemos fazer, como regras que ditam nossas ações, escolhas e comportamentos, se transformando, então, nas nossas crenças. Os nossos paradigmas são, portanto, os nossos modelos mentais, emocionais e comportamentais.

 

Esses paradigmas são formados ao longo do tempo através da repetição ou por forte impacto emocional. Eles são construídos, principalmente, a partir do ambiente em que vivemos e nos desenvolvemos e são eles que moldam o nosso mundo social. Tudo o que somos e fazemos têm relação com esses paradigmas, pois eles funcionam como permissões ou empecilhos para o que queremos realizar.

 

Assim, sendo eles as regras pelas quais vivemos, precisamos compreender que não são apenas as vivências que tivemos na infância que os formam. Temos também paradigmas que se originam no coletivo, no social e cultural. Portanto, nós estamos sujeitas a influência desses paradigmas que podem nos desconectar da nossa essência.

 

Como enquanto seres humanos buscamos ser amados e aceitos, tentamos seguir esses paradigmas que são impostos a fim também de evitar a rejeição e alcançar uma sensação de pertencimento. Por isso, reproduzimos os padrões, principalmente daqueles que amamos, e acreditamos que se não agirmos dessa maneira deixaremos de ser amados e acolhidos.

 

Quais as consequências?

 

Seja no nosso meio familiar mais íntimo ou mesmo em outros espaços da vida social, a maneira como nos comportamos pode ditar se receberemos mais ou menos amor. Então, começamos a moldar nossos comportamentos na tentativa de não sofrer essas consequências. E para se encaixar nos padrões prejudicamos quem somos e todo nosso potencial criativo e passamos a agir movidas pelo medo. O medo de não ser aceita, de não ser amada, de ser punida, o medo de não pertencer e por aí vai… E no medo nós identificamos a principal causa de desconexão com a nossa essência.

 

Nos conectarmos com a nossa essência é voltarmos a uma origem de puro amor. O amor desconhece o medo, a raiva, a empatia, a discriminação, a rejeição e, na essência, todos nós somos isso. Mas quando agimos em função do medo de não pertencer, de não ser acolhida e amada, nos distanciamos dessa essência, buscando sempre atender aos padrões estabelecidos e impostos. E isso é o que realmente está por trás da procrastinação e da autossabotagem.

 

Como acontece

A tentativa de seguir esses padrões acaba nos trazendo a sensação de nunca sermos boas o suficiente, gerando vergonha e autodepreciação. Mas não podemos deixar que esses sentimentos e padrões ditem o que fazemos e como podemos ser.

 

Além disso, é preciso evitar também a comparação, pois ela pode resultar em sentimentos de inferioridade, o que está diretamente ligado a procrastinação e autossabotagem: se você não se sente boa o suficiente você prolonga as situações ou age de forma a prejudicar o alcance dos seus objetivos.

 

A única comparação que podemos admitir, é a comparação de quem você hoje com quem você foi ontem, pois aqui encontramos espaço para crescimento e melhoria, mas ao nos comparar com outras pessoas, com histórias e situações distintas, a única coisa que conseguimos é invalidar nossa história, nossos avanços, invalidar quem somos. 

 

O que fazer

O primeiro passo  é investir no autoconhecimento por meio da autoobservação e autoinvestigação.

 

É preciso olhar e escutar a si mesma, pois quando não fazemos isso e focamos nossa atenção no outro, mais nos distanciamos de nós mesmas, refletindo, como já percebemos, na procrastinação e na autossabotagem.

 

Essa autoinvestigação nos dá a condição de identificar a origem e então podemos escolher se vamos seguir alimentando as crenças e comportamentos que “herdamos”  ou se vamos seguir adiante construindo o nosso próprio padrão de crenças e comportamentos, a partir do fortalecimento da tríade da mulher empoderada, o 3A (autoestima, autoconfiança e autoimagem).

 

Aqui encontra lugar essa reconexão com a nossa essência feminina e nosso poder pessoal e quando isso acontece deixamos de agir pelo medo e começamos a identificar quais são os momentos onde existe procrastinação e autossabotagem, os pontos cegos já não nos paralisam mais. 

 

É um processo, claro! É preciso descobrir o que de nós ficou pelo caminho na busca pelo atendimento desses padrões que nos foram impostos, na busca pela aceitação, na busca pelo amor que alimenta a alma de qualquer ser humano.  E nesse processo também estamos promovendo um alinhamento interior, um alinhamento com a nossa verdadeira essência.

 

Esse alinhamento com a essência deixará evidente para você quem realmente você é, o que faz sentido para você, quais são seus dons e talentos, o  que você realmente gosta, quer fazer e deseja para o futuro, quais são as conquistas que você pretende buscar. Essa compreensão reduz significativamente os momentos de procrastinação e autossabotagem e reduz porque sempre será uma escolha, uma escolha que você faz:  de agir pelo medo ou de agir pelo amor, de agir a partir da sua essência e poder pessoal ou agir a partir do que esperam que você seja. 

 

Para finalizarmos eu sugiro a você que identifique um ou dois paradigmas que te impedem de fazer alguma área da sua vida funcionar. Pense sobre isso e pense em que tipo de crença/pensamentos você poderia colocar no lugar desse que não te favorece. 

Lembre-se que construir a vida que você sempre sonhou depende da sua escolha e comprometimento.

 

Até o próximo artigo!

 

Com carinho,

 

Kelly Coimbra

Deixe seu comentário.

Comentar